sadia
conservação de alimentos

 

 

Trata-se de um pequeno manual em preto e branco, encomendado pela agência Plan & Apply em 1995 para o cliente Sadia S.A.. O título já entrega o conteúdo: “Técnicas de Conservação e Manuseio de Produtos Perecíveis”.

A Sadia oferecia aos seus distribuidores um curso dirigido aos funcionários que cuidavam da armazenagem, exposição e venda de produtos perecíveis de todo tipo:  enlatados, congelados, frios fatiados na hora etc. O curso era ministrado em forma de vídeo, em quatro partes. O primeiro bloco chamava-se “Fundamentos das Técnicas de Conservação”, abordando o assunto de forma leve e divertida; como o homem da antiguidade conservava os alimentos por meio da secagem, do cozimento, da defumação; como ocorre a deterioração; e como deter a ação dos microorganismos por meio do controle da temperatura, da umidade e da higiene.

Entre um bloco e outro, um pequeno teste (muito fácil) verificava o que foi aprendido (além da pausa para café e lanche, é claro!). Os blocos seguintes traduziam esse conhecimento teórico em atitudes práticas no dia-a-dia, ensinando a não quebrar a “cadeia do frio” em que circula a mercadoria, desde que sai da fábrica até chegar na prateleira ou expositor. Um acordo com a Filizola permitiu que fossem instaladas algumas máquinas de fatiar no ambiente de aula, com técnicos que demostravam como desmontar e limpar essas máquinas que, sem o devido cuidado, podem se tornar verdadeiros focos de contaminação. As aulas fechavam com a entrega do nosso manual e de um Certificado de Conclusão.

Foi um trabalho gostoso de fazer por vários motivos. Primeiro, porque abordava uma área de conhecimento nova para mim - e quem quer ensinar, tem que primeiro aprender a aprender... Depois, porque era importante captar o espírito daquele treinamento: mostrar que o funcionário do supermercado não era um simples atendente ou empilhador de mercadorias, mas um elemento vital na conservação de perecíveis e portanto da saúde do consumidor!

Um lado simpático desse trabalho é que a Sadia não estava zelando apenas por seus próprios produtos e respectivos consumidores mas, agindo sobre os funcionários do estabelecimento, também beneficiava os produtos concorrentes e indiretamente todos os outros perecíveis, como verduras e sorvetes.

Melhorava, enfim, a qualidade do atendimento geral no setor de alimentos. É evidente que essa atitude reverte positivamente em favor da instituição Sadia.

Da mesma forma, nos desenhos, não havia propaganda explícita do cliente - apenas um discreto “S” nas embalagens para não roubar a atenção do conteúdo. A “mensagem do patrocinador” se restringia à capa, introdução e conclusão do manual.

O traço do cartum, além de divertir e amenizar o peso da informação teórica, oferece a vantagem de facilitar a identificação do funcionário com a situação apresentada, pois aquele balcão desenhado com poucas linhas pode ser qualquer balcão do mundo, e aquela gôndola de supermercado também não se refere exclusivamente a este ou aquele ponto-de-venda específico.

O manualzinho era pequeno (15 X 15 cm), em papel fosco e encorpado, com pouca informação por página, impresso só nas páginas ímpares e, com o tempo, passou de lombada quadrada para encadernação com espiral. São detalhes que importam no “consumo” dessa mercadoria que não perece nunca, o conhecimento.